Entrevista com Nilton Simas

Olá internautas, como vai?

Hoje é dia de entrevista! No post de hoje eu entrevisto Nilton Simas, criador da obra LunchTime, um mangá de comédia nacional totalmente original, divertido e cativante. Vamos conferir?

Junte uma vampira, um lobisomem, uma múmia, um caçador, uma sereia, uma anja, uma esfinge e um pescador… Imagine tudo isso e mais um monte de outras criaturas mitológicas em situações hilárias. Isso é LunchTime!, um mangá nacional de humor para quem gosta de animes e mangás cômicos com muita aventura, ação e diversão.

Retirado de: https://www.editorakimera.com/product-page/s%C3%A9rie-lunchtime
Tenho em casa 😀

Primeiramente, quem é Nilton?

Olá, deixa eu me apresentar, meu nome é Nilton Simas, e sou desenhista de quadrinhos desde 1993. Sempre fui louco por desenho, desde criança, mas era algo sem objetivo, não tinha nenhum direcionamento. Foi no ensino médio que consegui ter mais contato com quadrinhos, através de amigos colecionadores, principalmente Marvel e DC. Mas foi nesta época que consegui um exemplar encadernado com as 6 primeiras edições de Akira. Eu não tinha ideia do que era mangá, não tínhamos a facilidade de informações como temos hoje com a internet, e descobrir aquela forma de quadrinhos tão diferente dos que eu conhecia, aquilo me deixou louco! Eu não sabia como, mas eu tinha que aprender a fazer quadrinhos daquele jeito. Paralelo a vontade de criar minhas histórias e revistas, eu acabei descobrindo o design gráfico, que se tornou minha profissão. Hoje além dos quadrinhos eu mantenho o grupo Zine Expo, um projeto de artistas independentes de quadrinhos que participam de eventos temáticos no Rio de Janeiro.

Quando comprei o Lunch Time, de imediato uma coisa me chamou atenção foi o formato de M’Kay City, você disse que é uma brincadeira que ilustra um monstrinho. O que tomou de referência para criar esse cenário? Tem alguma cidade que tomou como inspiração?

Nilton Simas

Olha, a cidade de M’Kay foi basicamente um “acidente feliz”! Na verdade quando criei a Lunchtime eu não me aprofundei na parte de criação do cenário, eu nem ia mostrar onde a história passaria. Mas conforme eu segui nos capítulos ficou evidente que eu tinha que mostrar onde tudo aquilo estava acontecendo, e então veio a brincadeira do nome ( referente a Makai, o mundo espiritual habitado por monstros e demônios da mitologia japonesa). E quando eu quis mostrar o visual dela, eu me inspirei numa foto famosa da vista aérea de Nova York, mas como a história era uma comédia, logo veio o insight do monstrinho, e já com a ideia o estádio ser o “olho” da figura, e também os “dentes” da boca dele serem os faróis que guiam a entrada da baía. Inclusive, muita gente acha que o visual lembra o PacMan, e realmente lembra, mas foi acidental, eu queria que tivesse um visual genérico, sem referência a nenhum ser específico. O engraçado de tudo isso é que mesmo surgindo depois da história ter sido concebida, hoje eu acho que a própria cidade é um personagem em si, simplesmente a história não funciona sem ela.

Tomou algo como referência para a criação de LunchTime?

M’Kay City

Ah, com certeza tem uma montanha de inspiração na criação da Lunchtime. A maior referência que eu tive foi o anime do Don Drácula, que assisti ainda moleque na década de 1980 na saudosa TV Manchete. Até então eu só associava a figura dos monstros e seres sobrenaturais a histórias de terror, nunca tinha pensado que eles poderiam também fazer parte de uma história de comédia. Como eu disse antes, a informação não era tão facilmente difundida na época, e eu nem sabia que Don Drácula era uma criação do Osamu Tezuka, o pai do mangá, e que existia uma versão em quadrinhos daquela história, que hoje é um dos tesouros na minha estante! Além dela, eu também peguei muita inspiração em filmes e games, por exemplo Darkstalkers, que colocava diversos tipos de monstros para se enfrentarem num jogo de luta. Um detalhe entretanto eu fiz questão de alterar drasticamente daquilo que eu sempre observava nestas histórias, o de que quase sempre o monstro presente na história é o “vilão”, a ameaça, algo que tinha que ser eliminado para que tudo “ voltasse ao normal”. Eu sempre achei esta mensagem horrível: se for diferente, tem que ser destruído? Por quê? Então, quando fui escrever a Lunchtime, a primeira coisa que eu defini é que os monstros nunca seriam discriminados, eles seriam aceitos sem preconceito algum. Pode até ser uma coisa meio utópica, mas eu quero acreditar que eles evoluíram o bastante para superar estas diferenças, e que nós também deveríamos ser assim.

O que prefere, HQ ou mangá?

Eu não tenho uma preferência, para mim os dois são ótimos. Tem suas qualidades e defeitos. O fato de eu desenhar mais puxado pro mangá não me afasta de ler HQs ou até pegar influências no cartoon também.

Edição Especial

Há quanto tempo você desenha?

Desenhar por desenhar, eu faço desde criança, mas como desenhista de quadrinhos, já estou nesta estrada há 26 anos.

Quanto tempo você demorou para publicar sua primeira edição?

Como autor independente, eu publiquei minha primeira história em 1995, e desde então estou sempre lançando novos quadrinhos. Este ano a Editora Kimera lançou um grande compilado com as 7 primeiras edições da Lunchtime, algo que me deixou muito feliz.

É difícil produzir esse tipo de obra no Brasil?

Infelizmente é difícil sim, embora hoje esteja um pouco mais fácil no aspecto de divulgação. Quem está começando hoje em dia pode focar em publicar seus quadrinhos online, atingindo um público impensável para quem viveu antes do crescimento da internet. Ainda assim, quadrinhos é uma arte que demanda tempo e esforço, para se obter um resultado legal, e é complicado para um autor nacional dividir o seu tempo com trabalho e estudos. Ainda assim, se o autor tiver uma abertura maior e pensar também em divulgar seu trabalho no exterior, tem a possibilidade de sustentar suas despesas com desenho.

Yumiko em Chibi!! Não é uma graça?!

Qual é o personagem que você tem maior apego? Por que?

Uma personagem a quem eu tenho um carinho especial é a sereia Yumiko, ela foi a primeira personagem da história. Eu estava num momento bem difícil quando criei a Lunchtime, estava bem desiludido e pensando em desistir de desenhar quadrinhos. Foi quando eu tive a ideia de fazer uma história bem simples, e pela primeira vez seria uma comédia. E eu queria usar uma sereia, mas tinha um problema, o que as sereias faziam? Cantavam para atrair os marinheiros para a morte….isso não era muito engraçado. Então, eu parei para pensar, afinal o que uma sereia JAMAIS faria? O insight veio na mesma hora: COZINHAR! Ora, aquilo não fazia nenhum sentido, mas…. exatamente por isso seria engraçado! E foi aí que nasceu a Yumiko, e tudo foi surgindo em torno dela. Eu costumo dizer que não criei esses personagens, eu os descobri dentro de mim, já estavam lá só esperando a hora de virem ao mundo . E falando nisso, eu não posso deixar de citar a Asuka, que acabou virando a grande força motriz da história. Eu citei o Don Drácula antes, e a filha dele na história, a Sangria, foi uma das minhas inspirações para a Asuka. Ela é uma brincadeira com as lendas dos vampiros, tem quase todos os poderes clássicos, mas sem ser imortal, nem ser uma morta viva, neste universo os vampiros já nascem desta forma, não são transformados nem podem transformar ninguém em vampiro. Apesar disso, eles adoram a fama dos vampiros “ do cinema e da TV” , e fazem de tudo para manter a pose, a Asuka por exemplo tem 104 anos….mais ou menos! Na verdade ela tem 20 anos “reais”, mas os vampiros usam um calendário próprio só para parecerem mais velhos!

Uma das coisas que gosto é crossover, como LunchTime é um universo onde monstros e pessoas convive eu estava aqui pensando, como seria o Saci Pererê ou algum outro personagem do nosso folclore em M’Kai City?

Ah, eu também já pensei nisso! Na verdade tem muitos seres que eu ainda não pude mostrar, porque infelizmente eu não consigo produzir mais rápido. Mas com certeza eu vou colocar personagem do nosso folclore também.

Tem algum outro projeto em mente ou em produção?

Teve um projeto chamado Olhos de Serpente, que eu lancei como oneshot na revista MangaK em 2003, que eu estou faz um tempo tentando dar continuidade, mas como sempre a falta de tempo é um problema. Outra coisa que me atrasou foram problemas sérios de saúde que tive em 2018, dos quais ainda estou me recuperando. Mas logo eu volto ao normal, tem umas coisas que estou planejando mas não posso contar ainda, é surpresa! 😀

Confira algumas fotos de alguns eventos que Nilton Simas esteve presente!

Eu quero maaais!

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Postado por Gabriel LyraPostado em seg/maio/2019

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